quinta-feira, 20 de março de 2014

O Mistério do Lago



Julia S. Herculano

            Em uma tarde chuvosa, no inverno, eu e mais três amigos acabávamos de sair da escola. Eu, Willian, Amanda e Rafa combinávamos de fazer um acampamento em um parque da cidade. Um desafiando o outro, pois esse parque não tem iluminação elétrica de noite. Todos nos aceitamos. Então, naquela noite, nós quatro faríamos um acampamento na região central do parque. Mas havia um detalhe que Willian e Rafa não nos contaram: naquele mesmo lugar uma mulher havia morrido, em circunstâncias misteriosas (eles queriam investigar).
            Chegando a noite, ainda com um clima frio e ventando, mas sem chuva, nós nos encontramos no parque. Quando chegamos é que os meninos contarmos verdadeiro propósito de estarmos ali. O parque estava completamente vazio, apenas com o som de alguns sapos e grilos. Montamos as barracas. Eu e Amanda em uma e os meninos na outra, uma fogueira no meio (a única fonte de iluminação) e um imenso lago atrás de nós.
            O Rafa tinha uma reportagem que contava sobre a morte da mulher:
            “ Ocorreu em março, 2001, ela e o marido estavam acampando próximo ao lago. Ele estava indo dormir quando aconteceu. A mulher foi pegar água no lago para apagar a fogueira e dormir. O marido conta que ouviu ela apagando o fogo, depois um grito. Assustado, correu para fora da barraca. Ele a viu na borda do lago com a mão sangrando, ela disse: “cuidado com o lago, tem...” Não deu tempo de terminar a frase. Ela morreu antes de terminar a frase. O marido correu para a delegacia mais próxima, mas quando chegou no acampamento, ela havia sumido”.
            Nós começamos a construir hipóteses então, Amanda teve duas: pode ter sido uma cobra aquática, ou peixe venenoso, já que o lago era de água salgada. Ou ela se espinhou em uma planta na beira do lago. Mas Willian discordou, pois ela morreu perto da fogueira e não na borda. Ela caiu na borda e deve ter escorregado para dentro do lago. Estava tarde, nós fomos dormir.
            Quando nos deitamos, passando um tempo, percebi que estava sem sono. fui sentar na beira do lago para passar o tempo. Estava escuro, eu não conseguia ver nada. Depois de um tempo algo pulou em mim. Com o susto, dei um grito (e foi isso que fez os três acordarem e saírem das barracas). Peguei um galho  e fiquei batendo naquilo. Enquanto isso, Amanda e Rafa acenderam a fogueira, Willian foi m ajudar. Aquilo tinha parado e tudo se revelou: era um baiacu! “ E deve ter sido ele que matou a mulher” eu disse:
            -Minha conclusão: a mulher deve ter pego um desses sem querer, dentro do balde, jogou a água e o segurou, sem saber que era venenoso. Por isso a mão sangrando. E acabou escorregando para dentro do lago e, pela água ser escura e funda, não deu pra ver, não conseguiram encontra-la.
            -Mas como o baiacu foi parar no lago- perguntou a minha irmã.
            -Bom, isso é outra história...


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