quinta-feira, 20 de março de 2014

O Amordaçador



Felipe B. Westphalen
Arizona, Estados unidos, 1987. Um corpo é encontrado brutalmente degolado. Nenhum suspeito, nenhuma pista, só o corpo.
A vítima, uma mulher que estacionara o carro na frente de um prédio abandonado, no centro da cidade, à noite. Não se sabe o nome dela, pois não foram encontrados documentos. Nenhum membro familiar, ou amigo se manifestou para dizer quem era a tal mulher, mesmo depois de mostrarem o rosto indecente na televisão. Um guarda que teria perguntado informações dela e o porquê de estar ali, disse que seu nome era Melissa Watt.
Os policiais suspeitam do namorado dela, Max Deff, que teria sido dispensado. Pela garota, mas eles não sabem de nada...
Noa Hackfield era filho único. Desde cedo não conversava com ninguém do colégio. O seu único amigo era um boneco de pano, cresceu na cidade de Phoenix, lugar perigoso situado no Arizona. O lugar amedrontador ajudou a desenvolver uma mente metódica e paranoica de Noa. Ele sempre estava tendo visões.
Com vinte anos, Noa ainda morava com os pais. Não tinha terminado a faculdade de psicologia, por isso não tinha dinheiro. Morava no porão de casa, isolado, estudando a mente humana.
O pai o rejeitava, e a mãe era preocupada com o filho.
As consequências da rejeição do pai eram tão grandes que quando fez vinte e um anos, era Noa quem precisava de um psicólogo, pois suas visões vieram com mais frequência. Ele ouvia vozes que o mandavam fazer coisas, se sentia em transe absoluto, dominado pela sua própria voz imaginária. Ele se sentia obrigado a obedecer.
Poucos dias antes de se formar, Noa foi expulso da faculdade por consequências dessa voz louca, gerou ferimentos graves quando se sentiu obrigado a empurrar um garoto que amarrava o sapato contra a quina de uma carteira. Triste e com raiva, Noa estava ansioso para se formar, quando isso aconteceu. Quatro anos de estudo para nada.
Ele pegou prisão domiciliar de três anos. Assim que cumpriu, começou a passear pelas ruas, à noite, sempre levando uma faca por conta própria.
Andando pela rua, Noa ouviu uma voz que dizia para atar a tal mulher (Melissa), que estava no carro. Depois de feito, percebeu o quão necessitado de ajuda ele estava. Para não ser preso novamente, levou tudo que poderia indicar o nome da mulher, e, consequentemente revelando o assassino. Teve sorte de não haver nenhuma manifestação familiar.
Culpado pela realidade e pela sua mente, agora em sã consciência, pegou suas roupas, alguns equipamentos e fugiu de casa. Assim começava a jornada de um assassino em série, cujo nome dado foi “o amordaçador”.
O destino de Noa foi traçado por si mesmo. Apoiado pelas suas alucinações, não tinha dúvidas sobre virar um assassino.
Cinco anos se passaram. Cento e dez pessoas assassinadas pelo amordaçador. Sempre deixando cartas misteriosas para os policiais. Noa Hackfield, dois dias depois do seu último assassinato, se matou. Ele se matou a pedido de sua mente, que dizia para agora se juntar aos mortos, porque todas as pessoas que Noa havia matado, já cometeram vários pecados e que, ele, Noa Hackfield, teria que ir junto, pelos seus pecados.


Nenhum comentário:

Postar um comentário