Felipe B. Westphalen
Arizona, Estados unidos, 1987. Um corpo é encontrado
brutalmente degolado. Nenhum suspeito, nenhuma pista, só o corpo.
A vítima, uma mulher que estacionara o carro na frente de um
prédio abandonado, no centro da cidade, à noite. Não se sabe o nome dela, pois
não foram encontrados documentos. Nenhum membro familiar, ou amigo se
manifestou para dizer quem era a tal mulher, mesmo depois de mostrarem o rosto
indecente na televisão. Um guarda que teria perguntado informações dela e o
porquê de estar ali, disse que seu nome era Melissa Watt.
Os policiais suspeitam do namorado dela, Max Deff, que teria
sido dispensado. Pela garota, mas eles não sabem de nada...
Noa Hackfield era filho único. Desde cedo não conversava com
ninguém do colégio. O seu único amigo era um boneco de pano, cresceu na cidade
de Phoenix, lugar perigoso situado no Arizona. O lugar amedrontador ajudou a
desenvolver uma mente metódica e paranoica de Noa. Ele sempre estava tendo
visões.
Com vinte anos, Noa ainda morava com os pais. Não tinha
terminado a faculdade de psicologia, por isso não tinha dinheiro. Morava no
porão de casa, isolado, estudando a mente humana.
O pai o rejeitava, e a mãe era preocupada com o filho.
As consequências da rejeição do pai eram tão grandes que
quando fez vinte e um anos, era Noa quem precisava de um psicólogo, pois suas
visões vieram com mais frequência. Ele ouvia vozes que o mandavam fazer coisas,
se sentia em transe absoluto, dominado pela sua própria voz imaginária. Ele se
sentia obrigado a obedecer.
Poucos dias antes de se formar, Noa foi expulso da faculdade
por consequências dessa voz louca, gerou ferimentos graves quando se sentiu
obrigado a empurrar um garoto que amarrava o sapato contra a quina de uma
carteira. Triste e com raiva, Noa estava ansioso para se formar, quando isso
aconteceu. Quatro anos de estudo para nada.
Ele pegou prisão domiciliar de três anos. Assim que cumpriu,
começou a passear pelas ruas, à noite, sempre levando uma faca por conta
própria.
Andando pela rua, Noa ouviu uma voz que dizia para atar a
tal mulher (Melissa), que estava no carro. Depois de feito, percebeu o quão
necessitado de ajuda ele estava. Para não ser preso novamente, levou tudo que
poderia indicar o nome da mulher, e, consequentemente revelando o assassino.
Teve sorte de não haver nenhuma manifestação familiar.
Culpado pela realidade e pela sua mente, agora em sã
consciência, pegou suas roupas, alguns equipamentos e fugiu de casa. Assim
começava a jornada de um assassino em série, cujo nome dado foi “o
amordaçador”.
O destino de Noa foi traçado por si mesmo. Apoiado pelas
suas alucinações, não tinha dúvidas sobre virar um assassino.
Cinco anos se passaram. Cento e dez pessoas assassinadas
pelo amordaçador. Sempre deixando cartas misteriosas para os policiais. Noa
Hackfield, dois dias depois do seu último assassinato, se matou. Ele se matou a
pedido de sua mente, que dizia para agora se juntar aos mortos, porque todas as
pessoas que Noa havia matado, já cometeram vários pecados e que, ele, Noa
Hackfield, teria que ir junto, pelos seus pecados.

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