terça-feira, 18 de março de 2014

A cabana solitária



André Schueda Menezes
          
         O cansaço me convidara a entrar na pequena cabana envolta por um vasto e sombrio bosque. A cabana parecia ter sido abandonada há pouco tempo e era muito escura.
            Uma chuva caiu numa hora tão importuna que parecia estar sinalizando para não entrar na casa, mas ignorei-a.
            A casa era bagunçada e tinha manchas no chão. Havia uma cozinha conjunta com a sala, no fundo do corredor escuro, havia um banheiro e um quarto.
            Exausto, fui me deitar no aposento. Assim que me deitei meus olhos pesaram e rapidamente dormi... No meio da noite ouvi certos barulhos e me assustei. De repente ouvi baterem na porta. Senti certa curiosidade; quem poderia estar batendo na porta daquela cabana abandonada? Mas subitamente minha curiosidade cessou quando um grito soou pelo vasto bosque e me fez pensar que eu não deveria estar ali. Mas me lembrei de que, por mais que eu quisesse fugir, havia algo ou alguém na porta e a ideia de me deparar com o que quer que fosse aquilo me assustava bastante.
            Imaginei que, se aquilo quisesse invadir a cabana, eu não teria saída. Em busca de algo para me defender, reparei que, no fundo do quarto havia uma estante com uma caderneta em cima. Obviamente não me pus a ler o pequeno caderno, mas coloquei-o no bolso para lê-lo depois em segurança, caso eu saísse vivo.
            Pensei que provavelmente havia uma faca na cozinha. Então corri ate lá sem pensar que estava muito próximo do ser, e ele ficou muito agitado. Peguei a faca e voltei para o quarto. Deitei novamente, pois só havia uma coisa há fazer: aguardar a invasão do ser, mas percebi que no teto havia uma claraboia tampada por algumas tabuas. Arrastei a estante para de baixo da claraboia. E nesse exato momento, ouvi a porta ser arrombada e o ser, com passos pesados, andar ate o quarto. Não arrisquei olhar pela claraboia, pois poderia me entregar.
            Fiquei no telhado uns dois minutos, até descobrir o que fazer, e acabei encontrando uma bicicleta velha e enferrujada ao lado da porta. Era arriscado, mas era melhor do que esperar amanhecer em cima do telhado.
            Pulei do lado da bicicleta, montei nela e pedalei para longe daquele lugar. Mas o ser veio logo atrás de mim, com passos que pareciam afundar na terra. Mas mesmo assim corria velozmente. Não arisquei olhar para trás, pois poderia cair da bicicleta.
            Finalmente saí daquele bosque onde, o ser não podia sair, mas eu continuava assustado. Desacelerei e pude descansar um pouco.
            Sentado na beira da estrada onde, por alguma maldição, nenhum carro passava. Pus-me a ler o pequeno diário:
            “26 de março de 1874
            Hoje meu pai comprou essa pequena casa onde, eu espero agente viva por um bom tempo.
            2 de abril de 1874
            Hoje, no meio da noite, ouvimos alguém bater na porta, mas era muito tarde e nos não atendemos.
            6 de abril de 1874
            Ontem à noite meu pai atendeu quem estava na porta. Hoje, quando acordei, havia apenas a cabeça de meu pai ao chão”
            Quando terminei de ler fiquei pasmo. As manchas no chão eram de sangue! E eu provavelmente também teria sido degolado pelo ser.
            Enfim, ouvi um barulho de motor, era um caminhão. No qual eu clandestinamente subi na carreta e fui levado para a cidade. 


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