terça-feira, 22 de abril de 2014

O Capuz



Amanda Gabani
              
                      Ouço um barulho: “toc, toc, toc”. Pergunto quem é. “Eu quero entrar!” a voz responde. “Sou apenas uma pobre velhinha!”, minto. A voz diz: “Eu vou soprar e soprar até derrubar a casa!” Então reconheço a voz e abro a janela: “Vai soprar e soprar? Não podia pensar em algo menos bobo?” e lá estava Peter, como eu imaginava. Claro. Ele sempre fazia piadas como essa. Vovó não me deixa sair quando está noite por causa do lobo. Então eu e Peter nos encontramos às vezes, conversando entre as janelas.
                Depois de conversarmos um pouco, vovó me chama. Ela sempre repara quando estou com alguma janela aberta. Vou até ela: “Ruby, feche logo a janela e coloque seu capuz! A lua cheia já vai aparecer!” e, quando ela aparece, o lobo pode estar a solta. Minha vó me faz usar um capuz vermelho, pois ela diz que o vermelho afasta os lobos. Todos então me chamam de chapeuzinho.
                Vou para o meu quarto, mas, dessa vez, não tranco as janelas, porque está calor. Deixo meu capuz ao lado da cama, mas não o visto, porque está quente. Não pode ser perigoso; há homens caçando o lobo neste exato momento, e minha casa é escondida pela floresta.
                No dia seguinte, me levanto para buscar água no poço. Quando puxo o balde, não há água; há somente sangue e corpos dentro do poço, e patas ensanguentadas indo para uma direção. Resolvo ir atrás, para ver onde dá. “Como é dia, o lobo deve estar dormindo”, penso. As pegadas vão dar na floresta, depois vão direto à... janela do meu quarto! É onde Peter esteve ontem! As pegadas se transformaram em botas, e eu percebi. Se o Peter era o lobo, matariam-no.
                Quando o encontro, conto a história de hoje: “Você é meu único amigo, o único que vai até a minha casa.” Ele me olha e lembra: “É quase noite! Sua avó não virá te procurar?” Eu falo que deixei o capuz em cima da cama, para ela pensar que estou lá. Digo que deveríamos amarrá-lo com cordas. Ele me olha triste e diz: “Não, com correntes” e o amarro. Então, tudo ficou escuro e acho que desmaiei.
                Acordo com minha capa sendo jogada em cima de mim. Minha vó está na minha frente, dizendo: “Não tire o capuz! Ele repele a magia!” Eu não entendia. Havia homens com tochas e lanças vindo. Me viro e vejo Peter morto e ensanguentado. Minha boca está cheia de sangue. Grito e entendo: eu sou o lobo.


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