Amanda Gabani
Ouço
um barulho: “toc, toc, toc”. Pergunto quem é. “Eu quero entrar!” a voz
responde. “Sou apenas uma pobre velhinha!”, minto. A voz diz: “Eu vou soprar e
soprar até derrubar a casa!” Então reconheço a voz e abro a janela: “Vai soprar
e soprar? Não podia pensar em algo menos bobo?” e lá estava Peter, como eu
imaginava. Claro. Ele sempre fazia piadas como essa. Vovó não me deixa sair
quando está noite por causa do lobo. Então eu e Peter nos encontramos às vezes,
conversando entre as janelas.
Depois
de conversarmos um pouco, vovó me chama. Ela sempre repara quando estou com
alguma janela aberta. Vou até ela: “Ruby, feche logo a janela e coloque seu
capuz! A lua cheia já vai aparecer!” e, quando ela aparece, o lobo pode estar a
solta. Minha vó me faz usar um capuz vermelho, pois ela diz que o vermelho
afasta os lobos. Todos então me chamam de chapeuzinho.
Vou
para o meu quarto, mas, dessa vez, não tranco as janelas, porque está calor.
Deixo meu capuz ao lado da cama, mas não o visto, porque está quente. Não pode
ser perigoso; há homens caçando o lobo neste exato momento, e minha casa é
escondida pela floresta.
No
dia seguinte, me levanto para buscar água no poço. Quando puxo o balde, não há
água; há somente sangue e corpos dentro do poço, e patas ensanguentadas indo
para uma direção. Resolvo ir atrás, para ver onde dá. “Como é dia, o lobo deve
estar dormindo”, penso. As pegadas vão dar na floresta, depois vão direto à...
janela do meu quarto! É onde Peter esteve ontem! As pegadas se transformaram em
botas, e eu percebi. Se o Peter era o lobo, matariam-no.
Quando
o encontro, conto a história de hoje: “Você é meu único amigo, o único que vai
até a minha casa.” Ele me olha e lembra: “É quase noite! Sua avó não virá te
procurar?” Eu falo que deixei o capuz em cima da cama, para ela pensar que
estou lá. Digo que deveríamos amarrá-lo com cordas. Ele me olha triste e diz:
“Não, com correntes” e o amarro. Então, tudo ficou escuro e acho que desmaiei.
Acordo
com minha capa sendo jogada em cima de mim. Minha vó está na minha frente,
dizendo: “Não tire o capuz! Ele repele a magia!” Eu não entendia. Havia homens
com tochas e lanças vindo. Me viro e vejo Peter morto e ensanguentado. Minha
boca está cheia de sangue. Grito e entendo: eu sou o lobo.

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