quinta-feira, 24 de abril de 2014

Malditos macacos



André Schueda Menezes
            Acordei amarrado no canto daquela câmara vazia que continha apenas eu e uma pequena lâmpada vermelha teto. Na verdade, um giroflex. A lâmpada, às vezes, apagava, deixando o quarto completamente escuro. Um barulho de sirene soava, mas era quase abafado, aparentemente pelas inúmeras paredes que me cercavam.
            Eu não sabia de nada. Não sabia onde estava e muito menos porque estava ali. Mas alguma de lá me assustava.
            Eu me sentia diferente. Mais forte, talvez, mas isso não importava. Eu estava amarrado e não havia nada a fazer para sair dali. E se eu morresse?
O que isso mudaria? Eu não me lembrava de nem de meu nome. Mas alguma coisa me impulsionava a sair de lá. A vontade de descobrir quem eu era. A vontade de viver...
            Enquanto tudo estava apagado, percebi que havia algo de errado. Algo que causava pânico nas pessoas, algo que fazia elas evacuarem o local, algo que... ”BOOM”!!!
            De repente, percebi que estava numa casa, em um quarto que, por algum motivo, eu tinha certeza que era meu. Teria sido um sonho? Mas não, eu me sentia diferente, havia partes do meu corpo queimadas. E por mais que eu tentasse, não conseguia lembrar de nada, só daquele quarto. Então vi um nome escrito à canetinha, eu acho, numa mochila: “ANDY”. De repente, um flash de meio segundo passou pelos meus olhos, com as lembranças de toda minha vida.
            Me chamo Andy, trabalho para uma agencia secreta a qual investiga ações de macacos raivosos. E na minha ultima atividade, fui capturado e feito de refém, mas isso já faz dez anos.
            Fui ao banheiro e percebi que, por mais que já tivesse mais de 20 anos, eu tinha aparência de 13. Malditos macacos! O que fizeram a mim?


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