quinta-feira, 24 de abril de 2014

A árvore do Sr. George



   Eduardo Garcia Busto
   Acordei cedo, pulei a cerca. Lá estava meu café da manhã, como sempre. Não é que eu gostasse de fazer isso, mas roubar as maçãs do Sr. George já havia virado parte da minha rotina, pois não eram maçãs comuns, eram maiores, mais suculentas e um pouco rosadas. Se você as provasse, ia se sentir na necessidade de roubá-las. Não é culpa minha.
   Além disso, se o Sr. George resolvesse ir para o quintal bem na hora do roubo, era só entrar dentro do grande buraco localizado no centro do tronco da árvore. Lá dentro era bem aconchegante e o velho, que já era meio cego, caduco e imbecil, jamais me encontraria, ou pelo menos era isso que eu imaginava.
   Lá pelo segundo mês de meus roubos diários de maçãs, eu já estava descuidado, mas meu descuido naquele dia ia mudar minha vida.
   Eu estava entrando no buraco quando sem querer pisei em um pedaço de tronco desgastado, que acabou caindo e fazendo um barulho infernal, nesse instante, pude ver o Sr. George correndo exatamente na minha direção, como se não fosse cego, além disso, era rápido como um jovem de 20 anos de idade, e de repente ele começou a brilhar até virar um ser marrom, peludo e com pequenas orelhas, semelhante a um filhote de urso com olhos amarelos. Minha última lembrança foi dele me alcançando, pois eu estava paralisado.
   Então acordei em meu quarto, havia um papel com um recado em minha barriga:
VOCÊ DESCOBRIU NOSSO DISFARCE,MAS NÃO OUSE VOLTAR A ROUBAR NOSSAS FRUTAS.
                                                                                                                                             Grooge,
Líder dos Yampaff

   Em seguida, olhei pela janela e vi que a árvore e a casa do “Sr. George” não estavam mais lá. Perdi meu café da manhã.


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