quinta-feira, 24 de abril de 2014

Máquina do futuro



Luiza Bradasch Köhler
Eu venho de uma típica família suíça que imigrou para o Brasil em 1860.
Meus avós possuíam muito dinheiro e eram pessoas reconhecidas e admiradas na nossa pequena cidade. Todos cobiçavam as suas riquezas e invejavam a mansão construída por eles.
Com a morte dos meus pais, eu herdei a invejada mansão e fui morar lá.
Era um lugar muito nostálgico para mim, pois quando pequeno, eu sempre visitava meus queridos avós, mas essa rotina de visitá-los diariamente se rompeu quando eu tinha doze anos, pois meu avô tornou-se um homem de poucas palavras, frio e com a cabeça nas nuvens, foi quando meus pais decidiram que eu devia parar de visitá-los.
Era uma mansão com muitos quartos e salas, mas o lugar em que me sentia mais confortável era a sala da lareira.
Estava eu sentado, em uma grande poltrona que na sala da lareira se encontrava.
A noite estava fria e a lareira aquecia os meus gelados pés quando, de repente, meus olhos se chocaram com uma pequena escultura colocada em cima de uma estante de madeira.
Fui até ela e, no mesmo momento em que a toquei, a lareira se apagou e uma pequena porta dentro dela se abriu. Sem hesitar, coloquei-me de pé e pela porta passei.
Dentro dessa misteriosa porta, se encontrava uma espécie de fábrica. Estava tudo empoeirado e haviam ratos mortos no chão.
De repente, enquanto eu caminhava dentro dessa pequena “fábrica”, uma voz macia tomou conta do lugar.
Fiquei abismado ao ver a criatura que produzia aquele som. Era um gato coberto de sangue em suas patas, provavelmente era o sangue dos ratos que ele comeu para sobreviver trancado ali por tanto tempo.
 Parecia tudo um grande sonho, até eu perguntar ao gato como ele sabia falar. Ele disse, com a sua macia voz, que meu avô havia inventado uma coleira que podia traduzir todos os  sons que qualquer animal produzia.
Estava aquilo acontecendo de verdade? Seria essa a razão de meu avô ter se trancado no quarto da lareira por tanto tempo?
Sem saber se aquilo era verdade ou não, eu passei o resto dos meus dias me dedicando naquela máquina.
Quando a máquina voltou a funcionar, o mundo inteiro já me conhecia como “o homem que mudou a humanidade”, eu já estava velho e cansado, mas principalmente orgulhoso de ter terminado o que, um dia, meu avô não conseguiu terminar.


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